sábado, 23 de janeiro de 2016

O coração em flor

    Amigo, você ainda não entendeu? É que o meu coração não se contentou em simplesmente bombear o sangue pelo meu corpo e me manter viva. Ele quis mais. Quis vida. Teve sede pelos dias. Esse coração, amigo, quer ser pulsante, e não só literalmente.
    E ai? E ai que ele explodiu em flores.
    Essas flores tem cor de amor, cor de gente que morou, que mora e que ainda vai morar nele. Sim, cores suas também aquarelaram o jardim das minhas artérias.
    Esse coração brotou naquele dia de sol que ele pode bater calmo enquanto eu sentia a grama pinicar as costas de leve e o quentinho no rosto. Floriu também naquele dia que eu soube que o sonho era agora vida. Nasceu mais e mais flores naquelas viagens. Durante aquelas festas meio loucas em que ele teve que trabalhar duro pra dar conta, ah, foi quase uma primavera inteira. Cada sorriso bonitinho de criança e ronronar quente de gato dengoso virou brotinho também.
     Cada gozo? Flor. Cada sorriso? Flor. Cada gente de alma bonita? Mais flor. Cada beijo. Cada cerveja compartilhada. Cada substância nova. Cada poesia... Flor! Muita flor. Ele sempre explode... Em flor.
    Amigo, esse coração é decidido e ele acha que a vida é pra ser todo dia. Intensa mesmo, forte... Memorável! E sempre em flor... Como diria Goethe, "Trato meu coração como se fosse uma criança doente. Dou-lhe tudo o que pede. Mas não contes a ninguém o que digo: há pessoas que não me compreenderiam."

. Sara Carneiro

Sobre as cerimônias

   Tenho certa aflição de cautela, de parcimônia, de ir com calma. É um saco isso de ter que medir as palavras quando na verdade eu queria despejar em você um queda d'agua inteira de sentimento.
   Te segurar o rosto firme e dizer o quanto o coração tem vontade de ta sempre perto. Te prometer a vida todinha , de te pedir pra ficar, ou pra ir comigo. Te dizer o quanto o brilho dos seus olhos é lindo, o quanto o seu sorriso é luz.
   Te contar o quanto eu queria passar essa tarde de chuva enrolando os dedos em um cafuné. Te apertar no laço de um abraço e sentir o cheiro de dengo que vem de você.
   Te escrever um livro inteiro de poesias e clichês, te mostrar todas as músicas que eu amo, assistir meus filmes favoritos. Tirar a roupa toda.
 
   Mas as cerimônias que regem os inícios me inibem, e eu paro aqui no meu singelo "foi bom te ver também".

. Sara Carneiro

domingo, 17 de janeiro de 2016

Sobre os pedacinhos do amor

     Sabe quando tem só um pouquinho de luz, e a gente se olha de tão mas tão pertinho que da até pra ver aqueles risquinhos lindos que a Íris do olho do outro tem? Ou quando a gente para de frente, achando o outro a coisa mais bonita que esse universo já fez?
     Sabe quando depois do gozo, você tira aquela mechinha de cabelo que insiste em se deixar no meio do rosto e de levinho a leva pra trás da orelha? Sabe quando você segura forte a minha mão? Quando você sorri sem graça? Quando você pisca devagar? Quando eu tenho que me segurar pra não rir de tanta bobagem? E quando você corre os dedos na minha pele?
     Sabe quando a despedida faz a gente ver escorrer uma lagrimazinha teimosa?
     É... Eu também sei. E é em cada saber bem pequenininho desses que eu encontro a beleza enorme que existe em viver o nós. É em cada saber desses que mora o amor, do jeito mais leve que ele tem de ser e de se fazer digno de suspiro.

     Não existe detalhe grande, né? Pra mim o bordado das suas pequenices é arte, é poesia. Eles fazem esse meu coração querer pulsante morar no seu conforto, morar nas suas curvas, na palma da sua mão ou em um xêro. Fazem nascer vontade de ser passarinho que faz ninho, ser gato que se achega. É a cada detalhe seu, meu bem, ou melhor, é a cada detalhe de nós que os olhos da alma insistem em se atentar.


- Sara Carneiro.  
   

domingo, 3 de janeiro de 2016

O mar e(é) você

Pode ter esse tanto de azul de céu
Ou de azul de mar
Mas acontece
Que até mesmo toda a imensidão tem seus olhos.

- Sara Carneiro.