Sabe quando tem só um pouquinho de luz, e a gente se olha de tão mas tão pertinho que da até pra ver aqueles risquinhos lindos que a Íris do olho do outro tem? Ou quando a gente para de frente, achando o outro a coisa mais bonita que esse universo já fez?
Sabe quando depois do gozo, você tira aquela mechinha de cabelo que insiste em se deixar no meio do rosto e de levinho a leva pra trás da orelha? Sabe quando você segura forte a minha mão? Quando você sorri sem graça? Quando você pisca devagar? Quando eu tenho que me segurar pra não rir de tanta bobagem? E quando você corre os dedos na minha pele?
Sabe quando a despedida faz a gente ver escorrer uma lagrimazinha teimosa?
É... Eu também sei. E é em cada saber bem pequenininho desses que eu encontro a beleza enorme que existe em viver o nós. É em cada saber desses que mora o amor, do jeito mais leve que ele tem de ser e de se fazer digno de suspiro.
Não existe detalhe grande, né? Pra mim o bordado das suas pequenices é arte, é poesia. Eles fazem esse meu coração querer pulsante morar no seu conforto, morar nas suas curvas, na palma da sua mão ou em um xêro. Fazem nascer vontade de ser passarinho que faz ninho, ser gato que se achega. É a cada detalhe seu, meu bem, ou melhor, é a cada detalhe de nós que os olhos da alma insistem em se atentar.
- Sara Carneiro.
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