quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Se todas as vezes
que você fechar essa porta
for doer assim

Meu amor, por favor
Não a abra mais.

Não faça ranger em vão
Mais uma vez
Essas dobradiças 

- Sara Carneiro

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Rotina

Respirar a normalidade
Acordar para a rotina dos dias
é de certa forma cômodo

Pisar em território conhecido
Ser conduzido pela rotina dos dias
E não precisar conduzi-los

É bom estar de volta


- Sara Carneiro

Manhã

     Eram oito ou nove da manhã de uma sexta, ela não iria trabalhar, tinha decidido isso na noite anterior. E eu? Decidi o mesmo. Não me arredaria dali.
     Ela abriu os olhos devagar, franzindo a testa em resposta aos raios de luz de sol ultrapassavam os buraquinhos na cortina. E enquanto isso, eu já estava ali há algum tempo, quietinha, tentando acreditar que ela era de verdade.
     "Bom dia."
     Ela não respondeu. Ela nunca me responde assim logo cedo, só soltava uns barulhinhos enquanto apertava os olhos. E eu? Satisfeita.
     Satisfeita porque ali, a menos de um palmo, ela estava. E estava linda.
     "Menina, não se mexe não. Deixa essa silhueta ai quietinha, que meus dedos só querem percorre-la".
     Levantei, fiz o cheiro de café se espalhar pela casa, adorei a sensação e conclui.
     "Olha, nossa vida devia ser feito esse café. Ou melhor, ela é. Doce, forte, com cheiro de manhã."

Sara Carneiro

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mais sobre Flor e sobre Ser

Nessa vida, moça, você tem que se deixar florescer mesmo. Deixar vir a aquela beleza lá de dentro, sabe? Aquela, só sua. Brotar, desabrochar. Deixar o mundo ver as suas cores. E eu vou te dizer, elas são tão lindas.
Se descubra, se toque, se mostre. Se ame e ame ser a sua mais pura essência.
Você pode, por você, fazer dos seus dias primavera, brotar todos os dias, silenciosa, aos pouquinhos... pra depois escancarar em vermelho, vinho, azul ou amarelo clarinho. O que você quiser. O que for você. Mas floresça.

Sara Carneiro

Quatro e meia em BH

Quando sobe as quatro e meia ou cinco horas na Afonso Pena, Bahia, ou mesmo a São Paulo, tenho certeza de que é amor o que toma o céu. O sol resolve se vestir de ouro e banha BH com um brilho que não se vê em outro lugar. E, camarada, é nessa hora que eu me rendo. E a essa luz que eu me rendo e assumo, sem hesitar, o meu amor por essa cidade linda.

Sara Carneiro