Pode ser que tudo isso seja simplesmente coisa de um coração que bate fora de ritmo, em tom bem acima, desalinhado ou simplesmente descompassado. Pode ser que isso na verdade não seja isso. Pode ser que não seja.
Mas também, moça, pode ser que no meio daquelas pernas, no canto daquela boca, no gesticular daquelas mãos ou naquele peito, more todo meu amor, tudo que eu sou capaz de sentir. More meu dormir e acordar, more o fitas de bordar o futuro, more o açúcar do envelhecimento, more a brisa da rotina.
E é claro. Sobre a segunda opção, me asseguro ser real e vou.
- Sara Carneiro.
terça-feira, 10 de maio de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Ser em mim
Não me cabe em nenhum outro lugar se não em mim mesma. Nenhum outro molde poderia abrigar o que eu chamo de eu de forma tão exata. Nenhum outro molde abrigaria tão bem a você se não você. Te digo isso porque já tentei ocupar pré-moldados, diversos deles... estive ali por um tempo. Dói-se o pé, provoca calos. Dói a coluna de tanto se curvar. Dói a cabeça de tanto se dizer não. Dói o pescoço de não se virar a outras direções.
Não caberia em um riso menos esticado e escandaloso, em uma mente menos inquieta, em uma risada menos estranha, em uma vida mais tranquila, em um coração menos entregue e mesmo assim livre, em dedos menos curiosos, em mãos menos tendidas ao toque, em olhos menos em busca pelas pequenezas ou em menores inconstâncias ou menores paixões.
No dia em que me vi derramar líquida e maleável em mim, vestir minha própria pele, mergulhar nas idéias, assistir aos pensamentos correrem soltos por ai, sangrar viva por todo corpo e bombear firme esse coração incansável e cheio de sede, gozar em cada gozo, preencher cada curva, ler cada gesto, estender e entender cada querer e ser. Simplesmente ser é completo. Não, num é tarefa simples. Mas é tarefa deliciosa.
Não caberia em outro ser. E o mais bonito de toda essa estrada em mim, é descobrir tantos outros seres possíveis moram aqui.
- Sara Carneiro
Não caberia em um riso menos esticado e escandaloso, em uma mente menos inquieta, em uma risada menos estranha, em uma vida mais tranquila, em um coração menos entregue e mesmo assim livre, em dedos menos curiosos, em mãos menos tendidas ao toque, em olhos menos em busca pelas pequenezas ou em menores inconstâncias ou menores paixões.
No dia em que me vi derramar líquida e maleável em mim, vestir minha própria pele, mergulhar nas idéias, assistir aos pensamentos correrem soltos por ai, sangrar viva por todo corpo e bombear firme esse coração incansável e cheio de sede, gozar em cada gozo, preencher cada curva, ler cada gesto, estender e entender cada querer e ser. Simplesmente ser é completo. Não, num é tarefa simples. Mas é tarefa deliciosa.
Não caberia em outro ser. E o mais bonito de toda essa estrada em mim, é descobrir tantos outros seres possíveis moram aqui.
- Sara Carneiro
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Casa
O amor, esse passarinho do mundo, mora logo ali, na curvinha do sorriso de canto. Mas mora também distante lá pras bandas da saudade.
O amor mora no pico daquele desejo, no vale verde onde a alma descansa quando é leve.
Faz morada no lamaçal de ciúme lá daquele mangue, no jardim bonito do beijo bem vindo, no fundo do oceano que é o ser dois, no deserto de quando os corações perdem o compasso, nas cordilheiras do passar dos dias e na grama macia e quentinha do cuidado, do carinho e da entrega.
E acontece, meu bem, que por causa desses olhos seus, sai percorrendo essas moradas todas de por aí. Ajuntei tudo de bonito que eu podia achar em cada uma delas e to aqui. To aqui pra te dizer que casa boa pra você mesmo só pode esses meus braços.
- Sara Carneiro.
O amor mora no pico daquele desejo, no vale verde onde a alma descansa quando é leve.
Faz morada no lamaçal de ciúme lá daquele mangue, no jardim bonito do beijo bem vindo, no fundo do oceano que é o ser dois, no deserto de quando os corações perdem o compasso, nas cordilheiras do passar dos dias e na grama macia e quentinha do cuidado, do carinho e da entrega.
E acontece, meu bem, que por causa desses olhos seus, sai percorrendo essas moradas todas de por aí. Ajuntei tudo de bonito que eu podia achar em cada uma delas e to aqui. To aqui pra te dizer que casa boa pra você mesmo só pode esses meus braços.
- Sara Carneiro.
O vivo da chuva
Não sei certinho. Mas desconfio que o que essa chuva faz com as folhas lá fora, ela faz com a gente aqui dentro também...
Deixa mais verde, mais vivo. E até o querer e os suspiros, que esse barulhinho molhado traz, fazem os olhos brilharem mais claros.
- Sara Carneiro.
Menina, você pode
Menina, você pode
Rir alto
Querer grande
E viver maior ainda
Você pode se amar exageradamente
Se tocar, sentir, usar e saber mais
Você pode andar sempre em flor
E ser. Ser lá de dentro- Sara Carneiro
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