Amigo, você ainda não entendeu? É que o meu coração não se contentou em simplesmente bombear o sangue pelo meu corpo e me manter viva. Ele quis mais. Quis vida. Teve sede pelos dias. Esse coração, amigo, quer ser pulsante, e não só literalmente.
E ai? E ai que ele explodiu em flores.
Essas flores tem cor de amor, cor de gente que morou, que mora e que ainda vai morar nele. Sim, cores suas também aquarelaram o jardim das minhas artérias.
Esse coração brotou naquele dia de sol que ele pode bater calmo enquanto eu sentia a grama pinicar as costas de leve e o quentinho no rosto. Floriu também naquele dia que eu soube que o sonho era agora vida. Nasceu mais e mais flores naquelas viagens. Durante aquelas festas meio loucas em que ele teve que trabalhar duro pra dar conta, ah, foi quase uma primavera inteira. Cada sorriso bonitinho de criança e ronronar quente de gato dengoso virou brotinho também.
Cada gozo? Flor. Cada sorriso? Flor. Cada gente de alma bonita? Mais flor. Cada beijo. Cada cerveja compartilhada. Cada substância nova. Cada poesia... Flor! Muita flor. Ele sempre explode... Em flor.
Amigo, esse coração é decidido e ele acha que a vida é pra ser todo dia. Intensa mesmo, forte... Memorável! E sempre em flor... Como diria Goethe, "Trato meu coração como se fosse uma criança doente. Dou-lhe tudo o que pede. Mas não contes a ninguém o que digo: há pessoas que não me compreenderiam."
. Sara Carneiro
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