quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Manhã

     Eram oito ou nove da manhã de uma sexta, ela não iria trabalhar, tinha decidido isso na noite anterior. E eu? Decidi o mesmo. Não me arredaria dali.
     Ela abriu os olhos devagar, franzindo a testa em resposta aos raios de luz de sol ultrapassavam os buraquinhos na cortina. E enquanto isso, eu já estava ali há algum tempo, quietinha, tentando acreditar que ela era de verdade.
     "Bom dia."
     Ela não respondeu. Ela nunca me responde assim logo cedo, só soltava uns barulhinhos enquanto apertava os olhos. E eu? Satisfeita.
     Satisfeita porque ali, a menos de um palmo, ela estava. E estava linda.
     "Menina, não se mexe não. Deixa essa silhueta ai quietinha, que meus dedos só querem percorre-la".
     Levantei, fiz o cheiro de café se espalhar pela casa, adorei a sensação e conclui.
     "Olha, nossa vida devia ser feito esse café. Ou melhor, ela é. Doce, forte, com cheiro de manhã."

Sara Carneiro

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