terça-feira, 14 de abril de 2015

Breu

“Não quer apagar a luz?”
“Eu esqueci disso.”
"Pode deixar. Eu apago"
E ai foi feito palha e brasa, sabe? Assim.
Piscaram e eram entregues e eram explosão. Se encostaram e se fizeram sentidos, línguas, sons e mãos. Ah, as mãos, essas traçaram mapas e mapas em ambos os corpos que no meio dos tecidos, roupas, e caos se resumiam, os dedos dele passaram por cada centímetro que a formava. E ela? Ela tinha vontade de cravar as unhas e o trazer pra cada vez mais perto, se contorciam e provavam da anestesia do êxtase.
O sexo como estado de espirito e o absoluto breu do quarto revelava o quão feito de instintos nós humanos somos.
E no ponto mais intenso daquela sincronia, não podiam ali estarem mais perto, pele e pele, a respiração dele e a nuca dela, mãos entrelaçadas com força, sexos total e deliciosamente ligados e provaram, juntos, assim do que, pra mim, é a razão pela qual viemos a esse mundo, prazer.
“Foi bom isso, né?”
“Nossa.”
Ele respirou cansado. Ela sorriu com o canto da boca.

- Sara Carneiro

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